Outro dia recebi um email de uma amiga aqui da agência pedindo ajuda para um amigo… Ele precisava de um roteiro padrão para montar uma apresentação de planejamento.
O pedido era simples, mas foi um tanto inesperado para mim, pois nunca havia pensado sobre isso. Como não podia deixar de ser, analisei o porquê da surpresa, que me levou também à resposta enviada: em planejamento, nos acostumamos a ‘vestir’ cada projeto de forma tão visceral, que passamos a respirá-lo, transpirá-lo… e tudo o que é criado para ele, parece único, específico, feito sob medida. É como se colocássemos uma nova lente diante dos nossos olhos para cada nova apresentação que fazemos.
Filosofias à parte, cheguei à conclusão de que, na verdade, o que existe é um processo de raciocínio de planejamento. E a partir desse raciocínio, surgem milhares de idéias em relação à forma, ou seja, em como rechear, ‘costurar’ com mágica e brilho o fio condutor da idéia a ser construída.
Assim, a forma/modelo varia de acordo com o briefing, o tipo de planejamento (estratégia digital ou offline, posicionamento de marca/produto, de comunicação, etc. etc.) e necessidades específicas de cada projeto. Mas todo ‘raciocínio’ de planejamento nasce a partir do seguinte ‘roteiro de pensamento’:
- Nossa visão sobre o briefing – como entendemos o briefing de um modo geral e qual nossa visão sobre a demanda;
- Análise do Contexto/Cenário – situação de base, dados de mercado, evolução da categoria, análise dos principais players/concorrentes, análise SWOT;
- O consumidor – definição demográfica, comportamental e atitudinal do target, mapeamento de barreiras e principais pontos de contato;
- A estratégia – como o objetivo do projeto será cumprido, como venceremos as principais barreiras identificadas, quais meios de contato são mais relevantes para cumprir o propósito do projeto, qual posicionamento devemos assumir para nos diferenciarmos dos concorrentes, … ao final da estratégia, devemos ter um pensamento único, que represente todo o raciocínio construído desde o início da apresentação e que direcionará a criação/ o desenvolvimento do projeto/ a apresentação da proposta ou solução ao cliente.
Resumidamente é isso. Mas de fato, varia muito mesmo.
O importante é sempre ter em mente que precisamos construir um raciocínio completo. Por isso, é preciso escolher com cuidado cada peça, cada informação, cada capítulo, cada conclusão para que, ao final, tudo esteja ‘amarrado’ e direcionando à conclusão final.
E, por incrível que pareça, uma ótima dica para saber quando a apresentação ficou perfeita, é observar a reação da ‘platéia’ ao final. Se os rostos estiverem sorrindo ‘internamente’ e concordando quase que sem querer com a cabeça, com aquela cara de que obviamente aquela conclusão/recomendação parecia a única possível, a mais lógica e assertiva, então meu amigo, pode ir embora feliz, com a sensação de tarefa cumprida. Pois você terá não apenas convencido o cliente e vendido a sua idéia, como também construído um raciocínio perfeito, que parecia naturalmente óbvio, enquanto nós, e somente nós, planejadores, saberemos o quanto suamos e queimamos neurônios para chegar até ele.
Missão cumprida!